domingo, 1 de julho de 2018

Centros de Interesse

Decroly estudou sobre a psicologia infantil, o desenvolvimento da criança e a preservação da liberdade. Assim, as considerações da vida mental do indivíduo como unidade foram, por ele, apresentadas como um todo. Desta forma apontou para a globalização do ensino multidisciplinar e sem compartimentalização. Nasce aí os Centros de Interesse.

Decroly apresenta, de acordo com Cinel (2004), que as necessidades vitais da crianças são importantes para serem consideradas em sua aprendizagem como: alimentação; luta contra interpéries; agir, trabalhar solidariamente, descansar, divertir-se, desenvolver-se; defesa contra perigos e inimigos. Contudo, com os Centros de Interesse, essas necessidades não desaparecem, desloca-se para um significado em uma realidade próxima da criança.

Pensar sobre os Centros de Interesse em minha prática levou-me a refletir sobre as necessidades vitais de meus alunos, principalmente no que diz respeito ao frio e a alimentação. Nos dias de frio e chuva muitos alunos não comparecem às aulas devido à falta de roupa, alguns alunos vêm de bermuda, outros de manga curta. Na hora do recreio não querem ir para o pátio, porque o frio é intenso e suas roupas não são adequadas. Todos vão para o refeitório, contudo não conseguem comer muito, mas pedem se podem guardar o alimento para comer depois, ou em casa.

Como esses alunos vão se desenvolver academicamente com frio e fome? Para isso, formular objetivos que envolvam a realidade do aluno com vistas as suas necessidades é mobilizar a escola em conscientização de solidariedade. Um dos pontos a serem discutidos é justamente os pontos de vista para atingir o desenvolvimento desses alunos. Formular objetivos, selecionar conteúdos e proporcionar situações de experiência que desafiem essas crianças é fundamental para que o professor tenha sucesso em sua prática.



Referência

Cinel, Nora Cecília Bocaccio. Revista do Professor, Porto Alegre. N° 20. Abr-jun de 2004.



sábado, 30 de junho de 2018

Inovar também é estudar

Quando começamos a nos questionar sobre as coisas, mudanças começam a acontecer. Pensar sobre a validade e os conceitos do que tem sido feito até o momento em relação a educação, não é tarefa fácil. Ao iniciar o curso de Pedagogia, aqui na UFRGS, meus conceitos sobre metodologia de aula estavam voltados apenas para o ensino de língua portuguesa e matemática. As escolas estão tão sucateadas que outras disciplinas parecem não importar mais e os professores tentam trabalhar outras disciplinas, mas sem sucesso. Então, como fazer para que os alunos retornem a se interessar pela escola?

Cunha (2004) aborda a tecnologia como trunfo para fugir da crise educacional. Porém, como trabalhar com as inovações tecnológicas se os professores não dominam as tecnologias, ou não tem acesso a elas? Para vencer os desafios tecnológicos, fiz vários cursos de formação para trabalhar com informática, mas ainda não foi suficiente. Foi necessário voltar a uma graduação para ampliar meus horizontes e tornar minhas aulas mais atrativas e atualizar minha metodologia.

O medo de não conseguir vencer a tecnologia afasta os professores da inovação (Cunha, 2004). Muitos professores não têm tempo de voltar a estudar, e suas condições de trabalho não lhe permitem tal benefício. Contudo, Cunha (2004) diz que a inovação existe em um determinado tempo, local e circunstância como produto da ação humana sobre o ambiente e o meio social. Então, ao buscar por novos caminhos para construir uma sociedade mais crítica e comprometida, já me considero uma inovadora. Acredito que quando se trata de educação precisamos arriscar, pesquisar e propor o mesmo para nossos alunos.

Estar preparado para ser professor é pensar inovações e atuar buscando novas formas de pensar.

Referência
Cunha, Maria Izabel. INOVAÇÕES PEDAGÓGICAS E A RECONFIGURAÇÃO DE SABERES NO ENSINAR E NO APRENDER NA UNIVERSIDADE

quinta-feira, 28 de junho de 2018

A inclusão em suas múltiplas facetas

Uma brincadeira pode mudar o comportamento de uma criança com autismo. 
De acordo com Montoya (2006) enfrentamos questões voltadas ao saber de como as novas novas formas de ação humana se organizam a partir de formas anteriores (reflexos e esquemas sensório-motores) e como nesse processo participam fatores endógenos e endógenos. Desafio maior ainda quando observamos essas características em uma criança com TEA. Questiono-me sobre a aquisição da linguagem em uma criança autista, como compreender suas estruturas mentais, como fazer essa socialização para aquisição da linguagem?

28/6/2018 - Turma 3°A 
EMEF Marechal Bitencourt

O TEA é considerada uma doença geneticamente heterogênea e complexa, já que apresenta diferentes padrões de herança e variantes genéticas causais. Pensando na teoria do desenvolvimento de Wallon a afetividade é um importante aspecto a se considerar em relação ao progresso do crescimento.

Meu aluno com TEA depois de três anos com sua turma está conseguindo fazer algumas conecções e brincando a sua maneira.

domingo, 24 de junho de 2018

Signo e Significantes

Aquisição da Linguagem

Os processos de aquisição da linguagem visam explicar de que modo o ser humano parte de um estado em que não possui qualquer expressão verbal e incorpora a língua de sua comunidade nos primeiros anos de vida, adquirindo um modo de expressão social dela dependente. De acordo com Correa (1999) toda criança é capaz de tomar a língua de sua comunidade como língua materna e adquirir, simultaneamente, mais uma língua. A autora aborda que há um padrão de desenvolvimento comum aos indivíduos nas diferentes línguas. Com isso, cabe a uma teoria da aquisição da linguagem explicar esse fato e elucidar o processo da aquisição espontânea de qualquer língua humana.

A partir dos estudos citados, deparo-me com uma fala tão distante da norma padrão trazida por meus alunos. São representações da fala dos seus grupos sociais, que se distanciam de uma norma padrão, mas que representam a cultura desses indivíduos. É papel da escola auxiliar aos alunos, desde a educação infantil, na aproximação de uma fala mais próxima da língua padrão, para que assim a alfabetização desses crianças não apresente tantas dificuldades. De acordo com Coelho, Lanza e Reis (2015) a criança necessita de uma consciência fonológica, que compreende à estrutura dos sons da fala para que posteriormente, tenha um bom desenvolvimento na leitura e na escrita.

A Educação Infantil tem importante papel no desenvolvimento fonológico da criança, de forma lúdica e com atividades interativas e corporais é possível desenvolver a construção linguística da criança. Devemos estar atentos para compreender que a alfabetização escolar de uma criança inicia desde sua formação inicial na pré-escola. O letramento é outro fator importante para o desenvolvimento da criança e não deixemos de lado seu conhecimento de mundo, que vai sustentar toda essa carga de conhecimento e acomodar, para que haja uma aprendizagem significativa.




REFERÊNCIAS

Coelho, Maria José, Lanza, Paula Moreira Martins de Oliveira e Reis, Izabel Cristina da Silva.  CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA E A AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM ESCRITA: Relações e Implicações para a Prática Pedagógica. OUTUBRO 29, 2015. Pós em Revista - Ed. 11. Disponível em http://blog.newtonpaiva.br/pos/e11-ped-01-consciencia-fonologica-e-a-aquisicao-da-linguagem-escrita-relacoes-e-implicacoes-para-a-pratica-pedagogica/ visitado em 24/06/2018.


Correa, Letícia Maria Sicuro. Aquisição da linguagem: Uma Retrospectiva dos Últimos Trinta Anos. D.E.L.T.A., Vol. 15, Nº Especial, 1999 (339-383).


terça-feira, 19 de junho de 2018

Tic's e a nova escola

Estive me perguntando se realmente existe uma nova escola que proporcione aos alunos novidades relacionadas a área de tecnologias. Não sei se estamos evoluindo ou apenas reproduzindo as aulas tradicionais na informática.

Nossos alunos são muito reprimidos em relação a utilização da informática nas escolas devido a falta de manutenção desses espaços. Turmas grandes precisam ser divididas para que possam ir ao laboratório e isso implica em aulas quinzenais ou muitas vezes mensais.

Os professores que trabalham nos laboratórios não permitem que os alunos mexam nas máquinas para que as mesmas não estraguem. Muitas vezes, os professores não têm conhecimentos simples para organizar as máquinas e assim é necessário chamar técnicos para configurações que poderiam ser feitas pelos professores.

Outro grande problema é a internet, que não comporta alguns sites e quando o professor precisa utilizá-la para esse fim, os sites não abrem e trancam todas as máquinas. Isso acarreta em criar estratégias para realização das atividades de outra maneira, que muitas vezes acaba impedindo que todos os alunos utilizem a máquina.

Não é tarefa fácil resolver esse problema que permeia a educação brasileira da rede pública. Espero que cada vez mais se amplie a oportunidade de trabalhos no laboratório de informática.


domingo, 15 de abril de 2018

Comênio e a Educação

Quem diria que há séculos atrás, haveria alguém preocupado com a metodologia de ensino e que essa pudesse ser tão atual como a que vivemos hoje. Comênio nasceu em Niwnitz, Morávia, em 1592. Publicou seu primeiro livro em 1616, Preceitos para uma gramática facilmente ensinada. Em 1631, publicou a enciclopédia "Porta aberta das línguas" e em 1658 "O mundo em imagens", primeiro texto ilustrado que aparece na história da pedagogia. Ele se esforçava para ensinar mais facilmente, rapidamente e de forma eficaz.

Tinha interesse em universalizar o ensino, ensinando tudo a todos, pois acreditava que todas as pessoas deveriam ser educadas. Sua metodologia visava os seguintes aspectos:
  1. Religiosidade da época;
  2. Educação para todos;
  3. Respeitar a capacidade de compreender do aluno;
  4. Não sobrecarregar as aulas;
  5. iniciar do fácil para o difícil;
  6. Cuidar da motivação dos alunos;
  7. Incentivar que os alunos ajudem uns aos outros;
  8. Alternar o trabalho com descanso;
  9. Bom relacionamento entre professor e aluno.
Todos esses quesitos para universalização do ensino ainda são utilizados nos dias de hoje. Quando li a história metodológica de Comênio, logo pensei em minhas aulas e em como ainda nos dias de hoje lutamos para universalizar o ensino. Pensando assim, podemos observar, também, a luta pela Educação de Jovens e Adultos, que é essencial para emancipação social e cultural de um indivíduo.

Se a escola regular e o sistema social de garantias de educação de qualidade e permanência na escola atingisse aos cidadãos brasileiros, ainda na infância, a trajetória de vida das pessoas seria melhor.


Referências Bibliográficas

GASPARIN, João Luiz. Comênio ou da arte de ensinar tudo a todos. Campinas: Papirus, 1994. p. 41-42.

 DOLL, Johannes; ROSA, Russel Teresinha Dutra da. A metodologia tem história. In: _______ (orgs.). Metodologia de Ensino em Foco: práticas e reflexões. Porto Alegre: UFRGS, 2004, p.26-29

COMÉNIO, João Amós. Didácta Magna: tratado da arte de ensinar tudo a todos. 4. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1996. 525 p. 

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Educação de Jovens e Adultos

A trajetória histórica da EJA no Brasil passa por várias configurações buscando sempre solucionar os altos índices de analfabetismo. As lacunas existentes no sistema regular de ensino também visam ser corrigidas por essa modalidade. Sendo assim, a proposta pedagógica para EJA é voltada para educação compensatória; supletiva; emergencial. Além desses problemas, havia necessidade de qualificar mão de obra para o trabalho.

Na história da minha família, minha mãe fez o Ensino Supletivo para finalizar o Ensino Fundamental, pois precisava trabalhar e, em sua infância, as mulheres não precisavam frequentar a escola, somente aprender a ler. Minha avó era analfabeta, tentou fazer o mobral, mas desistiu porque tinha que cuidar dos filhos, do marido e da casa. Lembro que minha mãe i nas aulas à noite, mas meu pai não gostava. Os homens não queria que as mulheres estudassem. Foi uma época muito difícil.

Na atualidade, vejo que os alunos "problema" para as séries finais e multirrepetentes quando fazem 15 anos são encaminhados para EJA. Não há uma preocupação com o desenvolvimento da educação a fim de atingir esses jovens que não conseguem seguir em uma escola regular, não há um questionamento sobre o porquê das repetências, porquê das evasões nos anos finais. Não há uma política para juventude, que defenda seus direitos de permanecer na escola e de qualificação para o trabalho.

Por fim, acredito que após tantas mudanças na estrutura da EJA, ainda nos faltam políticas que atendam a clientela jovem do nosso país.



Referências Bibliográficas

FRIEDRICH, Márcia et al . Trajetória da escolarização de jovens e adultos no Brasil: de plataformas de governo a propostas pedagógicas esvaziadas. Ensaio: aval.pol.públ.Educ.,  Rio de Janeiro ,  v. 18, n. 67, p. 389-410,  June  2010 .

Postagens de 2018/2

Mudar é preciso, evoluir faz parte da nossa condição humana As postagens realizadas neste último semestre, já estão vinculando prática ...