quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

O que é reprovar? Até quando serguir em frente?

Nestes últimos dias venho pensando no tema reprovação, acho que tem a ver com as questões de final de ano. Pensar no que fiz o ano todo e na forma como me esforcei para realizar as atividades. Refletir sobre nossos atos não é fácil, o tempo nos sucumbe, sentimo-nos afogados em tantos afazeres, que muitas vezes não damos conta, então começamos a pensar até que ponto vale a pena? Ou ainda melhor, por que não reprovar, ou por que reprovar...

Será que fizemos tudo que estava ao nosso alcance durante o ano, será que o fato de internalizar é difícil, ou fato de internalizar e conseguir demonstrar aos outros o que define nossa aprendizagem? Sinceramente, não sei. Sou melhor falando do que escrevendo, ou melhor observando do que falando, ou simplesmente não me encaixo?

Realmente este semestre mudou meu pensamento. Até então, pensava que reprovar poderia ser uma coisa boa, por que não, repetir algo para acrescentar e fortalecer nosso conhecimento, esse era meu pensamento. Nunca parei para pensar em como poderia ser difícil para alguns parar e pensar, até agora. Ao iniciar essa faculdade, achei que estaria mudando o rumo de minha história, estudaria como quisesse e faria as provas que estariam disponíveis para mim, na internet. Comentaria, tudo mecanicamente, como na escola normal. Foi quando me deparei com a reprovação de minha filha e de três dos meus alunos. E minha possível reprovação.

Não havia entendido até agora o sentido da reprovação. Ver minha filha estudando, indo para escola, lendo em casa, fazendo as atividades, indo aos reforços, e no fim REPROVADA. O professor me diz: "Ela está mais interessada no social do que nos estudos!", não consigo acreditar nessa afirmativa, pois acompanhei seu esforço durante o ano. Então comecei a me questionar, por que o professor Crediné busca em nós até a última gota da força que nos move. Não sei se é a resposta, mas acredito mais do que nunca que é preciso mudar esse pensamento de que o aluno não aprende. Aprende, mas não responde da forma que queremos. Responde através de movimentos, de modificações em sua rotina, essa é a essência da apresentação, do dizer por que  e o que aprendemos.

O pouco que estudei sobre Freud me fez refletir sobre como pensa o ser humano, e achei os mecanismos de defesa incríveis. Pude perceber vários deles em mim, e nos meus alunos. Parar e escrever é que ainda não é um hábito meu, mas estou me organizando para isso. As mudanças são paulatinas, contudo estão acontecendo.  Entretanto, até que ponto devemos relacionar a reprovação com a falta de aprendizagem? Acredito que tem algo mais além disso. Fazer de novo o que não aprendeu, pode ser uma alternativa, e muitas vezes não é necessário um ano inteiro para isso, apenas mais tempo. Contudo, é tarefa do aluno se organizar, mas quanto tempo é necessário para que o aluno aprenda a se organizar?

Dois de meus alunos repetentes, simplesmente deixaram de frequentar a aula, e outro deles a partir do momento que se afeiçoou a mim, quis estudar o máximo que podia para passar de ano, porém não evitei sua reprovação. Pergunto-me agora, o que fiz por ele esse ano todo que somente agora consegui despertar nele o interesse em estudar? Por que não o observei mais de perto ao longo do ano, para poder ajuda-lo da melhor forma possível. Sinto-me REPROVADA com relação a ele. Não sei o que fazer, nem como agir. No entanto, aprendi que devo mudar caminhos, dar um passo para trás para poder continuar em frente. Como disse, Freud me ensinou que tudo tem um porquê, basta voltar e olhar novamente com mais atenção.

Daí meu outro conflito, não há tempo para voltar e olhar novamente, com a escola nos moldes como se apresenta. Um ano letivo determinado em 200 dias não faz sentido, se o despertar aconteceu agora. Se o tempo aconteceu agora. Por que não seguir em frente? Por que fazer novamente? Por que não mudar, o que é preciso aprender? De acordo com os textos da história da educação é escola é uma reprodução maquinaria. Determinamos quem está apto ou não, minha pergunta é apto para que? Este meu aluno que reprovou sabe mais sobre aplicativos e tecnologia do que eu. Ele organizou todo meu celular em pastas, arquivos, programas que facilitariam a utilização do aparelho, mas não tinha o que era preciso para ser aprovado na escola, nota nas provas.

Este semestre ajudou-me a refletir sobre que tipo de professor quero ser, e que preciso mudar meu posicionamento frente ao ato de ensinar e aprender.

sábado, 19 de dezembro de 2015

MECANISMOS DE DEFESA

Este semestre, trouxe descobertas significativas para compreender melhor meus alunos através da disciplina de Psicologia I. Ao ler sobre Freud e os mecanismos de defesa, pude compreender algumas atitudes de meus alunos. Tenho uma aluna que não consegue se relacionar fazendo primeiro contato com outros colegas novos. Observei desde o início do ano esse comportamento nela, mas achei que era "coisa de adolescente". Após ler sobre os mecanismos defesa, percebi que na realidade ela estava se protegendo, através de uma formação reativa, ela tomava atitudes contrárias as que desejava. Magoava a outra pessoa ou não deixava ela se aproximar para se proteger, pois ela foi abandonada pela mãe, que a doou para outra família, separando-a de seu irmão gêmeo, que ficou com a mãe biológica.
Entendi que é uma forma dela não se magoar ou não ser deixada de lado. Aos poucos fui conversando com ela e a questionando sobre o porquê de suas atitudes hostis com pessoas que ela não conhecia ainda. Na escola, conversei com ela sobre essa questão tentando ajuda-la a superar essa dificuldade. Demonstrei os laços de amizades que havíamos construído ao longo do ano, e que essas amizades poderiam durar ou não, mas dependia dos rumos que tomassem nossas vidas, e só porque não vemos uma pessoa diariamente, não quer dizer que ela não goste de nós ou não seja mais nossa amiga.
Acredito que amenizei um pouco esse sentimento oposto que ela despendia as pessoas. Porém, ela precisará de mais auxílio para recuperar seus sentimentos.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

A música e o desenvolvimento educacional

Sempre levo meus alunos para passeios de estudo e cultural. Gostaria de relatar um pouco sobre o  passeio que fiz com meus alunos, a Porto Alegre, na Assembleia Legislativa, para que eles assistissem a "Série Concertos Legais", produzida pela OSPA, com regente Evandro Matté participação especial do "Cão Abelardo". Neste mesmo dia, fomos ao Santander Cultural, visitar a Bienal, ao barco Cisne Branco, fazer um passeio pelas ilhas do lago Guaíba.


Concerto:

Para minha surpresa, os alunos adoraram o concerto, foi muito gratificante ver o maestro interagindo com as crianças, juntamente com o Cão Abelardo e explicando todos os passos e instrumentos de um concerto. Eles adoraram. Espero poder levar mais alunos nos próximos anos. De acordo com os estudos realizados no semestre, observa-se o quanto é necessário inserir o aluno em contextos com novos desafios para interação e aprendizagem. As vivências são de extrema importância na construção do conhecimento.





Santander Cultural

Muitas pessoas acreditam que nos dias atuais para as classes populares, o importante é ensinar apenas português e matemática. Eu discordo deste pensamento, pois temos que tornar nossos alunos seres críticos, capazes de transformar a sociedade e até a si próprios. Na Bienal, os alunos tiveram contato com várias obras, e seu envolvimento foi surpreendente até para o guia, que afirmou não estar acostumado a tantas perguntas feitas por alunos. Incluindo comentários sobre a história do Rio Grande do Sul. Foi nítido ver em seus rostos o abalo, quando viram a obra sobre o esquartejamento de Tiradentes. Muitos disseram: "Sora quando tu contou pra gente, não imaginei que era assim tão triste!".

Cisne Branco

As crianças ficaram impressionadas de ver casas tão lindas construídas as margens das ilhas, pois muitos deles moram as margens do Rio Dos Sinos, em São Leopoldo. Comentei com eles que é normal à beira de rios, lagoas e lagos, grandes casas, porque  a água acaba se tornando uma forma de lazer para essas pessoas, como passeios de barco, lanchas, entre outros.


terça-feira, 10 de novembro de 2015

Por que sou professora?

Sempre quis ser professora, meu sonho desde a infância era ser professora. Hoje, sinto-me realizada e exerço minha profissão com muito carinho e dedicação.

https://youtu.be/A-8BgT0Bpow

Letramento e Alfabetização

A criança precisa de interação com o mundo da escrita para se apropriar dela e da leitura. A formulação de hipóteses e a possibilidade de compartilhar descobertas é imprescindível para o evolução do cognitivo da criança. Os níveis de desenvolvimento da alfabetização auxiliam muito os professores na preparação de atividades para desafiar os alunos em cada nível que se encontram. A revolução na alfabetização  proporcionada por Emília Ferreiro demonstra uma mudança de concepção no ato de aprender, o que se pensava que era erro da criança, passa a ser hipóteses de escrita e visualização de seu prograsso.

Professora Alfabetizadora e Mãe

Minha experiência vem da alfabetização de meu filho Gabriel. ele sempre gostava de ir com sua avó para casa dos bisavós, na Feliz, cidade próxima a São Leopoldo, onde residimos. Lá ele envolvia-se em tratar os animais, cuidar dos porcos, brincava com os porquinhos pequenos e sempre que voltava pra casa pedia para mim, se ele podia trazer um porquinho para casa. Então, eu lhe explicava que os porquinhos vivem nas chácaras dos vovôs e não podem morar na cidade. Gabriel desde pequenininho ia para casa dos bisavós, lá eles falavam alemão e ele posteriormente teve muita facilidade em estudar o idioma. Bem, com todas essas vivências, quando ia para escola sua professora, da primeira série, trabalhava com eles palavras que estavam no cotidiano das crianças,  seus nomes, rótulos, itens de nossa casa, etc. em abril Gabriel lia de tudo e adorava ler. Quando estava na segunda série, ele escreveu seu primeiro texto, achei que vem de encontro com o que os autores estudados referenciam. Era uma escrita livre, a partir de um rabisco, em que as crianças podiam inventar um desenho e escrever sobre ele. Para minha surpresa, Gabriel escreveu sobre um tema bem conhecido seu "os Porcos" e animais os quais estava acostumado a conviver. Acredito que isso seja leitura de mundo, e que assim, há um alongamento na inteligência de mundo que está calcada na escrita de seus conhecimentos prévios. O texto feito por ele, ainda guardo de recordação, e volta e meia vejo Gabriel relendo sua primeira história.


Pedagogia das descobertas

Na primeira semana de novembro, obtive uma experiência muito boa em sala de aula, que reflete bem as perspectivas descritas por Piaget e Ferreiro. Estou trabalhando verbos com meus alunos do quinto ano, e meus alunos são muito competitivos, então desafiei que se eles descobrissem o que significava o "pretérito imperfeito" do modo indicativo, receberiam um prêmio. Logo coloquei duas frases no quadro e pedi para que pensassem sobre elas e criassem hipóteses sobre o que significava um verbo no pretérito imperfeito. Ao analisar as frases e pensarem em duplas sobre o assunto, eles começaram a apresentar suas hipóteses. Uma dupla apresentou sua análise e estava correta. Foram premiados, porém, o mais importante foi que todos se empenharam em encontrar uma hipótese para o problema, e todos compreenderam de forma satisfatória o conteúdo.
A experiência de buscar hipóteses, pesquisar um determinado assunto, criar conceitos com colegas, debater, inovar, desafiar conceitos existentes, entre outros, são atividades riquíssimas para sala de aula, que despertam a curiosidade da criança e as induzem a pensar sobre os fatos tornando-se críticas.

Postagens de 2018/2

Mudar é preciso, evoluir faz parte da nossa condição humana As postagens realizadas neste último semestre, já estão vinculando prática ...